domingo, 30 de abril de 2017

Para que serve a arte?

Entendo por mim que é muito difícil explicar o inexplicável, expressar o inexprimível. Confesso, nunca algo me gerou tanta encucação danada como a pergunta: para que serve a arte? Para tentar ao menos chegar perto dessa resposta, parti do ponto de, primeiro, definir o que viria a ser a bendita arte. Pois bem, cheguei à conclusão de que a arte é um presente com um arranjo muito difícil de ser desembrulhado, justamente por se tratar única e acentuadamente do universo da cultura e da experiência do seu fazedor, o artista; arte é a representação simbólica do universo, do desenrolar da vida, da marcha dos acontecimentos, e nunca o retrato fiel da realidade; arte é a transmissão sincera dos sentimentos bons e ruins, é transformação, é inspiração, é uma bela sacudida na mente, é encucação, é diversão, é movimento, é vivacidade e graça para os dias, é reflexão que escorre lá para o subterrâneo da alma, é o idioma do coração, enfim, arte é vida e vida é arte.

Depois dessa explicação frustrante sobre o que é arte, me desafio a dizer para que ela serve. Bom, penso que a arte serve para... para quebrar a rotina. É, isso mesmo, ela serve para quebrar o gosto pelo que é tradicional e a forma de como as coisas se reproduzem iguais todos os dias: acordar, comer, ir ao trabalho e à escola, comer, voltar para casa, mexer no Facebook, comer de novo e dormir; a arte serve para ser a inteligência das coisas criadas e iluminação para os dias soturnos; ela é uma flor que aformoseia e perfuma esta vida de valores preexistentes e falidos; serve para nos fazer pensar e apreciar o trabalho da formiga, o cantar do sabiá,  a boniteza que tem o diálogo e a compreensão, as estrelas, o gigante universo, os detalhes, o complexo humano, a plenitude da natureza, a própria arte. Finalmente, a arte serve para nos fazer enxergar que a vida é aquilo que queremos que ela seja.


Só para lembrar: de todas as artes que existem, a arte é a mais bela.

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