Para
que serve a arte?
Entendo por mim que é muito
difícil explicar o inexplicável, expressar o inexprimível. Confesso, nunca algo
me gerou tanta encucação danada como a pergunta: para que serve a arte? Para
tentar ao menos chegar perto dessa resposta, parti do ponto de, primeiro,
definir o que viria a ser a bendita arte. Pois bem, cheguei à conclusão de que
a arte é um presente com um arranjo muito difícil de ser desembrulhado,
justamente por se tratar única e acentuadamente do universo da cultura e da experiência
do seu fazedor, o artista; arte é a representação simbólica do universo, do
desenrolar da vida, da marcha dos acontecimentos, e nunca o retrato fiel da
realidade; arte é a transmissão sincera dos sentimentos bons e ruins, é
transformação, é inspiração, é uma bela sacudida na mente, é encucação, é
diversão, é movimento, é vivacidade e graça para os dias, é reflexão que escorre lá para o subterrâneo da alma, é o idioma do coração, enfim, arte é vida e
vida é arte.
Depois dessa explicação
frustrante sobre o que é arte, me desafio a dizer para que ela serve. Bom, penso
que a arte serve para... para quebrar a rotina. É, isso mesmo, ela serve para quebrar
o gosto pelo que é tradicional e a forma de como as coisas se reproduzem iguais
todos os dias: acordar, comer, ir ao trabalho e à escola, comer, voltar para
casa, mexer no Facebook, comer de novo e dormir; a arte serve para ser a
inteligência das coisas criadas e iluminação para os dias soturnos; ela é uma
flor que aformoseia e perfuma esta vida de valores preexistentes e falidos;
serve para nos fazer pensar e apreciar o trabalho da formiga, o cantar do
sabiá, a boniteza que tem o diálogo e a
compreensão, as estrelas, o gigante universo, os detalhes, o complexo humano, a
plenitude da natureza, a própria arte. Finalmente, a arte serve para nos fazer
enxergar que a vida é aquilo que queremos que ela seja.
Só para lembrar: de todas as
artes que existem, a arte é a mais bela.